Selvagens ganham programa científico de monitorização
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens dispõe agora de um programa de monitorização científica a longo prazo, publicado no Boletim do Museu de História Natural do Funchal. Este documento, resulta de um esforço conjunto liderado pelo Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) que envolveu mais de 80 especialistas de 28 instituições tendo como objetivo orientar novos estudos e projetos de investigação, servindo como uma ferramenta estratégica para garantir decisões de gestão baseadas em provas científicas.
Paralelamente, a biodiversidade da Madeira assinala um marco histórico com o regresso de espécies raras às Ilhas Desertas. Mais de 570 caracóis terrestres das espécies Discula lyelliana e Geomitra coronula, que não eram vistos no seu meio natural há mais de 150 anos, foram reintroduzidos na ilha do Bugio. Esta operação é fruto de um programa de reprodução em cativeiro iniciado em 2021 e visa inverter o declínio destas populações, que foram dadas como desaparecidas devido à pressão de espécies invasoras na Deserta Grande.
Os primeiros resultados desta reintrodução são encorajadores, com dados a indicar taxas de sobrevivência positivas e uma boa adaptação das espécies ao novo habitat. No total, prevê-se a libertação de 270 exemplares de Discula lyelliana e 300 de Geomitra coronula, num processo de acompanhamento rigoroso que se deverá prolongar até 2028. Esta iniciativa reforça a posição da Madeira como referência internacional na conservação da natureza e na recuperação de habitats através de cooperação científica sustentada.

